Carne impressa e sem sofrimento animal?

Por: André Luiz

Desenvolver tecnologias está na raiz da revolução humana em toda a sua história. Certo que algumas tecnologias foram mal utilizadas, mas isso não vem ao caso agora. Quero falar de coisas boas.

E uma delas diz respeito ao uso da impressão 3D, também chamada manufatura aditiva. Basicamente, esta tecnologia consiste no depósito de camadas de materiais a partir de um projeto, criando novos produtos e apoiando serviços. Muito se tem ouvido e falado por aí de peças feitas com impressão 3D, como implantes ortopédicos sob medida e até casas em impressão 3D. É só procurar na web!
Agora, esta eu não sei se você conhecia: carne impressa em 3D.

E veja! Não é aquela carne moída comprada no açougue que você poderia usar uma impressora para modelar formas bonitinhas…

Fiquei conhecendo há pouco o negócio (em desenvolvimento) da Aleph Farms (https://www.aleph-farms.com/), uma startup de Israel que propõe a utilização de células iniciadoras retiradas de biópsias de animais vivos, que são então cultivadas laboratórios com ambiente controlado.

Assim, os tipos de células do animal: fibras musculares, gordura, vasos sanguíneos e tecidos conjuntivos, cultivadas e multiplicadas, podem ser combinadas em uma impressora de modo tridimensional.

E agora?! Teremos em breve nos supermercados uma carne “impressa”, livre de antibióticos, sem sofrimento animal e em ¼ do tempo no caso de produção em campo. Este conceito já vem sendo perseguido por algumas empresas ao redor do mundo e os americanos, por exemplo, propõem colocar, já em 2021, um hambúrguer de “carne sem sofrimento animal” no mercado.

A rede KFC, por exemplo, já vem trabalhando com a empresa russa BioPrinting (https://bioprinting.ru/) em um nugget “do futuro”, impresso a partir de células do frango. Aqui, no Brasil, a BRF tem divulgado esforços nesta direção também.

Se por um lado superam-se algumas críticas vegetarianas com esta tecnologia (com a ausência do sofrimento animal), os produtores de carne no mundo (e o Brasil é um dos maiores) já estão articulando para proibir chamar isto de “carne”, mesmo porque ainda estamos distantes da complexidade das fibras e de conseguir imprimir um bom pedaço de picanha. Mas isso é outra história tecnológica.

* ao lado, ilustração no website da Aleph-Farms. [fonte: https://aleph-farms.com/nature-design/#mirroring]

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