ECONOMIA – Cadeia econômica de Florianópolis será afetada ainda mais fortemente, afirma economista

ECONOMIA – Cadeia econômica de Florianópolis será afetada ainda mais fortemente, afirma economista

Turismo, maricultura e serviços: setores que são relevantes para a economia de Florianópolis, mas ao mesmo tempo são os que mais sofrem com a pandemia de covid-19. Com a quarentena e a paralisação do mercado consumidor, esses setores tendem a sofrer mais. “É uma cadeia produtiva que será afetada fortemente”, atesta Lauro Mattei, doutor em economia e professor da UFSC.

Com 12 milhões de desempregados e 30 milhões na informalidade, Mattei sugere que o governo deve fomentar as empresas para mantê-las funcionando, além de dar atenção especial aos setores mais vulneráveis  – Foto: Anderson Coelho/ND

Os serviços (comércio, turismo, restaurantes) têm crescido nos últimos anos, representando contribuição significativa no PIB, entretanto sofrem um baque maior com o lockdown adotado.

“A economia já vinha capenga antes dessa crise sanitária, e é essa economia que é abatida pelo coronavírus. Os setor de serviços, que cresceu e têm segurado a economia, é o mais afetado nesse momento”, observa Mattei.

Setor industrial do País sentirá efeitos

As indústrias, mais fortes no restante do estado do que na capital, devem sofrer efeitos também. Em São Paulo, houve sinalização de desaceleração deste mercado, o que dimensiona uma magnitude que também deve ser sentida na indústria catarinense.

Ao Estado de São Paulo, Rafael Cagnin, do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) afirma que “essa sinalização que me parecia ser uma preparação de terreno para um desempenho mais robusto em 2020, fica agora com um ponto de interrogação com os efeitos do coronavírus. Ninguém sabe exatamente os efeitos reais”.

Amplamente, empresas de tecnologia devem sentir menos os efeitos da crise. “A maioria desses serviços continua [com a quarentena], mas tem empresas com muitos funcionários que conseguem seguir. Outras tem cinco ou seis, e passam por enormes dificuldades”, afirma Mattei.

“Maricultor vende almoço pra comprar a janta”

No mercado de produção de ostras, Santa Catarina domina o comércio nacional com 98% da produção. Contudo, agora há tendência de dificuldades extremas no setor, considerando a queda brusca de consumidores.

“O maricultor vende o almoço pra comprar a janta. Agora é o período de compra de sementes, e a maioria está adiando, dando férias para os funcionários”, atesta Tatiana Cunha, presidente da AMASI (Associação dos Maricultores do Sul da Ilha).

Os maricultores não foram incluídos nas medidas de assistência do governo municipal, que assistem profissionais autônomos de baixa renda em R$ 600 reais.

Mas, segundo Tatiana, há uma reivindicação da AMASI para inclusão dos profissionais na medida. No momento, a entidade também planeja um delivery de ostras e moluscos para “ao menos conseguir pagar os vencimentos e os funcionários”.

Apesar dos efeitos serem fortes na economia, Mattei atesta que a dicotomia entre saúde e economia é uma discussão falsa, assim como a discussão entre isolamento vertical e total.

Lei de Responsabilidade Fiscal quebrada

“Devemos seguir o exemplo da China”, afirma, “em oposição a Itália, que segue sem adotar quarentena”. Segundo relatório da consultoria Goldman Sachs, a Itália é o país que sofre a a maior queda no crescimento do PIB com a pandemia, 0.2% para -11,6%.

As medidas governais implementadas são atualmente limitadas, considerando a disponibilidade de recursos. Prefeituras arrecadam com poucas medidas e dependem de repasses, assim como os governos estaduais, que devem sofrer queda brusca na arrecadação, dependente dos repasses da União e do ICMS.

O pacto federativo põe os estados e municípios em xeque na atuação orçamentária, contudo a situação muda com o estado de calamidade pública.

Agora, há autorização para quebrar a lei de responsabilidade fiscal para combater o coronavírus, o que tira da União a responsabilidade de cumprir a meta fiscal para 2020, com déficit de até R$ 124,1 bilhões nas contas públicas.

As medidas municipais

Com exceção de áreas como saúde, assistência social, educação e limpeza urbana (onde atua a empresa pública Comcap), todas as outras rubricas municipais foram reduzidas em 70% de seu orçamento. O valor contingenciado deve ser destinado ao atendimento de saúde e, no total, soma um montante na ordem de R$ 390 milhões.

O prefeito Gean Loureiro (DEM) anunciou a criação de um cartão alimentação, que deve fornecer R$ 100 reais por mês para profissionais autônomos de baixa renda. O cartão abarca somente autônomos registrados no cadastro único.

Profissionais liberais (advogados, contadores, psicólogos, etc) terão cobrança de ISS (Imposto Sobre Serviço) prorrogada até 20 de julho. Opções de parcelamento devem ser anunciadas em datas próximas do vencimento da medida.

O “Juro Zero” medida criada em 2017 pela prefeitura deve ser ampliada com novas medidas decretadas. Empréstimos de até R$ 5 mil são disponibilizados para microempreendedores e microempreendedores individuais com o programa. A prefeitura paga as últimas parcelas do empréstimo, referentes às taxas de juros.

Agora, em parceria com a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e a Acif (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis), a prefeitura disponibilizará R$ 10 milhões para o programa. Antes, quem solicitava o empréstimo tinha oito meses para pagá-lo, agora terá 12.

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