ELEIÇÕES 2020 – Há um jogo arriscado entre Darci e Adriano

ELEIÇÕES 2020 – Há um jogo arriscado entre Darci e Adriano

Os papeis estão definidos no segundo turno da eleição em Joinville: Darci de Matos (PSD), deputado federal e ex-deputado estadual, vereador e ex-presidente da Câmara, que vale-se do currículo para valorizar a experiência política; e Adriano Silva (NOVO), empresário de sucesso, que se lança como outsider por uma renovação política no maior colégio eleitoral do Estado.

São duas ações de risco estratégico, pois deixam flancos abertos para o contraponto, embora garantam uma boa opção para que tem o dever de escolher o próximo prefeito, justamente onde 101.419 eleitores sequer apareceram para votar no primeiro turno, culpa da pandemia e de uma apatia crescente com a classe política no absurdo cenário de 15 postulantes.

O mais estranho nesta nova fase, é que Darci, conservador de centro-direita, usa a sua carreira política para dizer que não irá atrás de apoio de derrotados, enquanto Adriano, de direita e de um partido que prega independência e admite que não se coliga com quem não tenha um programa semelhante, já recebeu, formalmente, o apoio de Ivandro de Souza (Podemos) e aguarda mais outros.

Tudo isso em apenas uma semana de camapnha.

 

Diferentes

O campo ideológico que une Darci e Adriano é uma das poucas similitudes entre ambos.

Darci defende o serviço público, a melhoria da estrutura de serviços, Adriano adota um discurso privacionista e já acena com a abertura para uma Organização Social administrar o Hospital Municipal São José e até admite privatizar a Companhia Águas de Joinville.

 

Detalhe

A dupla que disputa o segundo turno no maior colégio eleitoral já faz história, até quando o assunto é o número de votos que os separou: 6.110, respectivamente com 25,3% e 22,98% dos válidos.

É a primeira vez os concorrentes não representam praticamente o mesmo grupo político, que administrou Joinville durante 24 anos, com forte influência de Luiz Henrique da Silveira (MDB), que comandou a cidade por três mandatos e só renunciou para se tornar governador do Estado.

 

Tendência

A maior parte dos candidatos que concorreram no primeiro turno em Joinville sinalizou para liberar os correligionários e eleitores.

Mesmo que sem o formalismo ou com as fotos, a tendência é a de que mesmo os partidos de esquerda evitem seguir com Adriano e despejem o voto útil em Darci, o que não é receita de bolo, pois o apelo pelo “novo” cai nas graças do eleitor facilmente.

 

Direto da Câmara

O vice de Darci, Rodrigo Fachini (PSDB), foi presidente da Câmara local, como o cabeça da chapa.

Isso forçará a dupla, se aleita, a trabalhar muito, pois não terá maioria natural na Câmara, considerada a coligação que ainda tem PL e PP, sigla aliás que sequer elegeu um vereador. Adriano tem apenas três vereadores eleitos pelo Novo e terá que mostrar disposição para garantir mais apoio entre os 19 integrantes do Legislativo

 

Por Roberto Azevedo

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