Os efeitos da pandemia na Educação continuam

Como sou educadora, sei que os maiores incentivadores para a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) são os professores e as escolas. Com a interrupção das aulas presenciais nesse período de pandemia, o incentivo foi anulado, esquecido, deixado para um segundo plano. As desigualdades ficaram ainda mais expostas e, como os menos privilegiados economicamente ficaram mais distantes das escolas, consequentemente (e historicamente) seguem sendo os mais prejudicados.

Sim! Este ano, tivemos o menor número de inscritos no ENEM desde a reformulação do exame em 2009, totalizando 4.004.764 inscrições – dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Os números foram divulgados ontem, dia 15 de julho pela instituição , um dia após o término do prazo para os estudantes se inscreverem para a realização das provas impressas ou digitais.

O agravante do fato é que os candidatos que faltaram à última edição por medo de infecção do coronavírus, que estiveram doentes ou por suspeita, além dos casos de desistência por não se sentirem preparados para a prova por conta da suspensão das aulas, não conseguiram gratuidade da inscrição esse ano. Mais um motivo que escancara as desigualdades educacionais e de acesso às tecnologias em nossa país.

As circunstâncias impostas pela pandemia à educação, junto à falta de engajamento dos jovens com o ensino remoto, falta de acesso aos dispositivos tecnológicos e internet somados à evasão escolar, estão provocando perdas significativas de ensino que, se não mitigadas rapidamente, vão se traduzir em mais desigualdades para uma geração inteira. Esse é um indício de apagão da ciência. Precisamos nos atentar!

Por Edna Araujo S. Oliveira

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