POLÊMICA – Santa Catarina gastou quase R$ 300 mil para hospedar a vice-governadora Daniela Reinehr

POLÊMICA – Santa Catarina gastou quase R$ 300 mil para hospedar a vice-governadora Daniela Reinehr

Enquanto boa parte dos Estados aboliu as residências oficiais, SC é um dos únicos que oferece residência ofi­cial para vice

Embalados pelo discurso de renovação política, os no­vos gestores públicos assumiram com a missão de tornar os estados mais eficientes. De norte a sul do Brasil, indepen­dente de partido ou ideologia política, a ordem é conter despesas. Nesse cenário, a manu­tenção de práticas como a mo­radia em palacetes e residências oficiais pode ser considerada símbolo de desperdício e ligação com a velha política.

Movimentação de carros e assessores na garagem da residência oficial, localizada em bairro nobre da cidade de Florianópolis – Divulgação/ND

Santa Catarina, por exem­plo, é um dos únicos Estados do país que oferece residência ofi­cial para a vice-governadora. No restante do país, apenas o Maranhão do governador comunis­ta Flávio Dino (PCdoB) mantém o benefício para o vice, Carlos Brandão Junior (PRB). Em to­dos os Estados, os vices moram em residências próprias e arcam com as despesas da casa, com exceção de Santa Catarina e Ma­ranhão.

A equipe do ND entrou em contato com o porta-voz de todos os Estados do Brasil para identificar como cada unida­de federativa administra as residências oficiais. Das 27, oito têm governadores que moram em casas oficiais: Santa Cata­rina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão, Ceará, Rondônia e Goiás.

Em Minas Gerais, por exem­plo, Romeu Zema (Novo) de­sembolsa R$ 7 mil por mês para aluguel de imóvel. Cumprindo a promessa de campanha, ele abriu mão de morar no Palácio das Mangabeiras e, segundo le­vantamento feito pelo governo, a medida representa uma eco­nomia de R$ 1,86 milhão ao ano.

Em São Paulo, o Palácio Ban­deirantes é utilizado apenas de forma administrativa, enquanto no Paraná o governo defende que a Granja Canguiri (chácara onde fica a residência oficial) seja transfor­mada num espaço para crianças para ser melhor aproveitado.

Contratos garantem serviços

Para levantar quanto custa a hospe­dagem da vice-governadora para o bolso do contribuinte, a reportagem separou as notas publicadas no portal da transparên­cia com referência ao imóvel entre o total de pagamentos líquidos de R$ 911.777,79 mil do gabinete da vice governadora (até 28 de junho). Foram excluídos aqueles desembolsos referentes a retenções de valores de impostos que o estado reco­lheu e os estornos, valores devolvidos em cada pagamento. São ao todo 46 paga­mentos no valor total de R$ 292.553,99, 31% da despesa consumida pelo gabinete da vice-governadora.

Entre as maiores despesas com resi­dência oficial estão dois contratos com empresas especializadas em terceiriza­ção de serviços. Os serviços de motoris­ta, servente, cozinheiro, jardinagem, te­lefonista e zeladoria consomem a maior parte do orçamento. Foram pagos R$ 134.938,73 para a Orcali Serviços Espe­cializados Ltda. e mais R$ 64.982,37 para a Costa Oeste Serviços de Limpeza Ltda. Também foram pagos no mesmo período R$ 7.706,18 de energia elétrica, contrato firmado com a Celesc a partir do dia 1º de janeiro deste ano e com validade até 31 de dezembro.

Transição

As duas contratações de mão de obra também demonstram que o atual governo tinha intenção de ocupar o imóvel ainda na transição com a gestão anterior, além de uma superposição de funções desem­penhadas na residência. Com a Orcali, o contrato foi assinado, da mesma maneira de que com a empresa de energia, no pri­meiro dia do ano, mas tinha validade até 30 de junho de 2019 no valor total de R$ 323.283,60 mil.

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