Sobre as tais “perdas bilionárias a gerações que estão na escola”

Nos últimos dias tivemos alguns grandes meios de comunicação alarmando notícias e dados de que a pandemia pode gerar perdas bilionárias aos que frequentam a escola. Ou ainda que os prejuízos de aprendizagens são irreversíveis. O fechamento das escolas e, agora, o retorno à presencialidade, viraram de fato um embate político e jurídico por insuficiência de mediação e diálogo entre os envolvidos. Não dá para negar!

Mas, chamo atenção ao primeiro ponto a ser observado, que é de onde saem esses dados e estudos. No caso que cito (e não vou referenciar para não dar mais visibilidade), trata de um estudo ancorado e veiculado por uma instituição bancária, cujo título Perda de Aprendizagem na Pandemia, publicado em junho, conta com seus autores pedindo ações urgentes tanto no controle da pandemia quanto em um compromisso social para evitar que a defasagem da educação da geração atual se converta em um problema permanente, tanto na vida futura dos jovens e crianças quanto na produtividade de todo o país.

Até aí tudo bem. Mas o estudo frisa ranqueamento educacional e receio sobre perda econômica futura: “cada criança com ampla defasagem de aprendizagem na pandemia poderá ter uma perda de renda de R$ 20 mil a R$ 40 mil ao longo de sua vida.” E não, eles não estão pensando nas crianças e jovens e sim nos lucros que poderão perder caso as escolas não consigam formar mão de obra qualificada. Nada de novo sob o sol: banqueiros preocupados com lucros.

Pontuar fracasso escolar e perda de aprendizagem durante uma pandemia é desconsiderar todas as questões sobre justiça educacional que tanto nós professores insistimos em visibilizar. Pensar na produtividade dos jovens e crianças é bem diferente de se preocupar com vacina, saúde, alimentação e acesso à educação e ao conhecimento. Não nos deixemos enganar.

Por Edna Araujo S. Oliveira

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